Este texto trata de um assunto emergente em nossa sociedade: o envelhecimento populacional, em que apresento informação teórica sobre a gerontologia (campo multidisciplinar que estuda os idosos e os processos de envelhecimento) e a velhice, bem como atividades práticas de como chegar a esta fase da vida de maneira saudável. Mas quem deve lê-lo?
 

Qualquer pessoa, de qualquer idade, que queira viver uma vida melhor, cuidar do seu próprio processo de envelhecimento, pessoas que trabalham com idosos ou se preocupem com a questão da velhice em sua família ou comunidade.
 

De acordo com a literatura, a população brasileira tem aumentado sua longevidade nas últimas décadas. Atualmente, a população com idade igual ou superior a 60 anos é da ordem de 15 milhões de habitantes.
 

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as estimativas para 2020 indicam que a população idosa poderá exceder 30 milhões de pessoas ao final deste período, chegando a representar quase 13% da população. Atrelado a este crescimento temos o aumento na longevidade dos brasileiros, de acordo com a pesquisa Tábua da Vida 2005, a expectativa de vida ao nascer atingiu a marca de 71,9 anos.
 

O aumento da população de idosos se deu devido a duas causas principais: ao aumento da qualidade de vida da população (aumento da renda média, melhoria nas condições de educação, evolução da qualidade sanitária, inovações na medicina geriátrica, etc) e, também, devido à diminuição da mortalidade infantil.


Ainda que o envelhecimento não seja sinônimo de doença, com o crescimento da longevidade e do número de idosos na população ampliam-se também as chances de desenvolvimento de doenças cuja prevalência aumenta com a idade e, também, de situação de dependência na velhice. Veja abaixo as doenças mais comuns que podem acometer as pessoas nesta fase da vida: hipertensão, derrame, diabetes, câncer, artrite, osteoporose, doenças mentais (demência – Mal de Alzheimer, depressão), cegueira e diminuição da visão.
 

Além disso, existem algumas alterações que ocorrem entre os 30 e 75 anos de idade: perda de 30% do peso muscular; diminuição de 50% dos néfrons (unidades funcionais dos rins); a percepção gustativa cai 75%; o bombeamento cardíaco reduz 50% e diminuição de 50% da função pulmonar. Mas, não se assustem, o envelhecimento não possui apenas aspectos negativos, veja só o que podemos fazer para mudar a nossa própria realidade de envelhecimento.
 

Atentar para o fato de que os fatores de risco para doenças são os mesmos que os fatores protetores, dependerá de como cada um de nós os utiliza. Avaliar nossos hábitos nutricionais e a nossa atividade física (é comprovado que 30 minutos diários de caminhada, três vezes por semana diminui em 30% a chance de ter o Mal de Alzheimer. Quanto mais atividade física, menos chance de desenvolver a doença).
 

Refletirmos sobre nosso estilo de vida: o tempo que dedicamos para trabalho, descanso, lazer; se fumamos, se ingerimos álcool com muita frequência; como anda nosso nível de estresse, se nossa renda nos permite mudanças estruturais. Se já somos predispostos ao desenvolvimento das doenças anteriormente apresentadas, como nos cuidar? Como utilizar os medicamentos a nosso favor?
 

Em geral, acredito em uma educação para um envelhecimento saudável, em que precisamos:
- Tomar consciência da nova realidade de que nosso país está caminhando para ser considerado um país de velhos.
- Ter conhecimento sobre as possíveis perdas biológicas que o envelhecimento pode trazer.
- Refletir sobre sua vida hoje, pois envelhecemos conforme nós vivemos e se preciso for, mudar padrões de vida.
- Buscar sempre objetivos em sua caminhada, jamais deixando a vida apenas nos levar. Que tenhamos o controle do que queremos viver.
- Continuar sempre criando, produzindo, vivendo de forma ativa naquilo que gostamos.
- Continuar exercitando a memória e o pensamento.
 

Além da educação, a arte vem como uma aliada no processo de envelhecimento saudável, pois cria condições de oportunizar espaços de sensibilização e expressão para idosos por meio de linguagens artísticas. Propomos a arte como elemento para o desenvolvimento humano. Nossa estratégia é utilizar o conhecimento em benefício da arte e a arte em benefício do ser humano, no sentido de ampliar as possibilidades pessoais e profissionais dos seres humanos. A arte como minimizadora dos efeitos negativos do envelhecimento, a arte como instrumento para se vivenciar a velhice de maneira mais leve e positiva.

 

Escrito por: Wanda Patrocinio - 10/12/2007

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