Envelhecer: cultura e vidaO tratamento que é dado ao velho é muito forte em termos de idade e papel social. Partindo da ótica da produtividade que permeia nossa sociedade, GUSMÃO (2001) coloca que “…o caráter do mundo moderno em sua natureza capitalista está dado pela ordem produtiva que toma o jovem e o adulto como produtores e compreende o velho e a velhice como uma irrupção perigosa da ordem, posto que já não produtivos para o capital” (p. 117) e, por isto, o velho pode ser considerado como um “ser descartável”.

 

Infelizmente, é nesta cultura que estamos inseridos, a qual valoriza aqueles que produzem algo para a sociedade capitalista, mas o que é preciso fazer para que nossa cultura política seja mais solidária? Ou melhor, para que nossos velhos não sejam “seres descartáveis”? Acredito que se aproveitarmos os Programas e Atividades direcionados a esta faixa etária e neles engendrarmos, além do que já ocorre, discussões, trocas de experiências, explanações sobre a problemática do envelhecimento e o que podemos fazer para influenciar na mudança de paradigmas, estaríamos começando a dar um pequeno passo para a construção de uma forma de viver mais humana.

 

Por outro lado, cabe ressaltar que o velho não é tratado dessa forma (descartável) em todos os lugares. Se percorrermos nosso país, vamos encontrar formas diferenciadas de cuidado e atenção ao velho. Alguns respeitando, se sociabilizando, outros negando, rejeitando, talvez seja o que Bosi (1987) chama de cultura plural, “… não existe uma cultura brasileira homogênea, matriz dos nossos comportamentos e dos nossos discursos. Ao contrário: a dimensão do seu caráter plural é um passo decisivo para compreendê-la como um ‘efeito de sentido’, resultado de um processo de múltiplas interações e oposições no tempo e no espaço” (p. 7).
   
Escrito por: Wanda Patrocinio - 20/5/2008

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