Nas Tramas dos Laços de Fitas

Na segunda vivência iniciam-se os trabalhos retomando e fortalecendo o nome e a identidade de cada participante. Em círculo, cada participante fala o próprio nome e todos prestam atenção. Com os nomes gravados na memória, cada participante fala o seu e tenta lembrar o nome do companheiro da esquerda e no sentido inverso, tenta lembrar o nome do companheiro da direita. Após esta dinâmica, propomos um relaxamento para sensibilizar todos os sentidos (tato, olfato, paladar, visão, audição). Além de novamente trabalhar a questão da memória com o exercício dos nomes, a vivência do relaxamento teve como objetivo chamar os participantes a estarem presentes naquele momento, vivenciando aquela experiência e deixando para o lado de fora da sala todas as preocupações da vida particular. Aliás, de modo geral, a regra do projeto foi que as pessoas estejam concentradas e participantes nas atividades.

 

Após a vivência de relaxamento, entramos no momento de ambiente reflexivo, em que cada participante recebeu uma fita de cetim para trabalhar o “Nó do momento”: cada integrante foi orientado a fechar os olhos em postura reflexiva. Ao fazer isto, fizeram um nó na fita, ao mesmo tempo em que mentalizaram algo que estava incomodando naquele momento, mesmo que fosse uma dificuldade simples ou uma pequena tristeza ou preocupação. Com as fitas e seus nós, partimos para o momento de transformação, em que os participantes foram levados a pensar e refletir sobre as formas de realizar a soltura do nó, com a conseqüente solução para seu problema. Além disto, buscaram nas lembranças uma canção que traduzisse aqueles nós vividos ou da alegria da solução dos problemas, ou de um tempo vivido que tivesse a carga desse nó, tanto da alegria quando da dificuldade.

 

Um dos grupos atendidos era composto por senhoras com quadro depressivo, que participavam das atividades com encaminhamento da psicóloga do Centro de Saúde do Bairro, a qual acompanhou todas as atividades do projeto nesta turma. Neste grupo específico, a vivência das fitas teve um tratamento diferente, pois o objetivo foi trabalhar a questão da felicidade e da alegria de viver. Trabalhamos com a dinâmica do desenho, em que os participantes receberam uma folha em branco e lápis de cor. De olhos fechados e com a mão contrária à que escrevem, desenharam ou escreveram no papel o seguinte tema: “O que eu tenho de melhor!”. No segundo momento, ao invés de trabalhar o nó do momento, usamos o tema “A Felicidade do Momento”, em que elas foram levadas a pensar em suas vidas e buscar algo que as deixasse felizes. Dentre as várias possibilidades, deveriam escolher apenas um motivo (trabalho, objeto, pessoa, situação, fato) que as fizessem felizes. Escreveram no papel o porquê de terem escolhido aquele motivo específico. Ao final, partilharam sobre esta experiência, falando sobre o desenho e sobre as escolhas de felicidade.

 

No segundo dia da vivência das fitas, trabalhamos com respiração, com eutonia e uma montagem coreográfica em duplas. Com uma música pré-definida, as duplas criaram seqüências de movimentos com as fitas, considerando os potenciais que este recurso proporciona, utilizando-o como um componente de alegria, flexibilidade, leveza e beleza. Ao dançar, exploraram o movimento da fita, levando os significados para o próprio corpo.

 

Para encerrar esta vivência, trabalhamos com a dinâmica do espelho, que se caracteriza por um trabalho individual, de cada pessoa com o espelho, enquanto os outros ficam na platéia. Ao ritmo de uma música bem envolvente, a pessoa desfila até chegar no espelho; de frente para o espelho a pessoa diz o nome, a sua melhor característica como ser humano, movimenta o corpo livremente, sorri e sai. A platéia assiste o desfile e aplaude no final. Este trabalho é bastante significativo, pois permite aos participantes ficarem de frente para o espelho e se encararem, reconhecendo dentro de si sua melhor característica.

 

(Para saber mais, leia a apresentação deste trabalho no artigo postado em 29/01/2008; no artigo Encontro Introdutório postado no dia 05/02/2008; e no artigo Uma sensibilização no Universo da Flores postado no dia 12/02/2008).
 
Escrito por: Wanda Patrocinio - 26/2/2008

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