Diferentes Técnicas ajudam na Preservação da MemóriaCanções ao vento

A cena aconteceu em 1981, no calçadão da praia da Enseada, no Guarujá (litoral de São Paulo). O pequeno Octavio, 6, acabara de ganhar do pai um bonequinho Playmobil pirata. Foi quando uma ventania quase levou o pirata de suas mãos. O vento, que, por pouco, não rouba o brinquedo, trouxe também um presente muito especial: uma canção. O garoto não sabia de onde vinha aquilo. “Seria coisa do diabo?”, pensou assustado. Era sua imaginação. A melodia não parava de soprar, a letra martelava. Foi a primeira canção entre as mais de mil já compostas pelo, agora, músico e compositor Tatá Aeroplano, 30 – que mantém todas as melodias na memória.


Até hoje, quando evoca a composição original, o calçadão, o boneco pirata, a ventania e o sentimento de estar fazendo algo proibido retornam com vivacidade à sua memória. Para Izquierdo, todos os fatos de teor emocional forte são recordados com mais precisão. “A emoção libera substâncias como a noradrenalina e a dopamina. Geralmente, nos lembramos desses momentos, em que ocorrem essas liberações, em detalhes”, afirma.

 

Para manter tantas canções na mente, Tatá usa outro recurso indispensável, segundo Izquierdo, para fixar a memória: repetição. “Às vezes toco uma música nova por duas horas seguidas”, diz Tatá. Além disso, ele já tem mais de 400 canções encadernadas num livro.

 

Quando não há tempo para o processo de memorização, Tatá recorre ao uso de um gravador de fita cassete, inseparável, para registrar as novas canções – que continuam surgindo ao vento, “como mágica”. São mais de 150 fitas guardadas numa caixa de papelão. Mas aí, a memória de Tatá não resiste: “É preciso decupar as fitas para extrair as canções”.

 

Publicado na Folha de São Paulo (08/09/2005) 

Escrito por: Tatiana Diniz e Marcos Dávila

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