Diferentes técnicas ajudam na preservação da memóriaMemória Artificial

Segundo o psiquiatra Orestes Forlenza, do Laboratório de Neurociências do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da USP, as facilidades eletrônicas nos fazem pular uma etapa no armazenamento das informações.

 

“Acontece o tempo todo. Tenho um paciente que esqueceu o telefone da mulher. Ele pôs na memória do celular. Para chamá-la, bastava apertar um botão”, diz Forlenza.

 

Ele explica que, diferentemente do cérebro humano, a memória do computador vai ficando cada vez mais rápida e com uma capacidade maior de armazenamento. “O nosso cérebro tem uma capacidade funcional limitada. Impõe-se que os jovens processem um número muito grande de informações”, afirma.

 

É claro que uma série de recursos tecnológicos permite que uma pessoa manuseie um volume de dados muito maior, sem usar necessariamente a própria memória. Outra discussão contemporânea levantada pelo psiquiatra diz respeito à educação infantil. Alunos de escola devem fazer os trabalhos de forma impressa ou à mão?

 

“É fácil obter uma informação pronta na internet, copiar, colar e entregar assim, sem nem sequer ler com cuidado a informação, sem passar por uma elaboração cognitiva. Como é que essas crianças vão envelhecer se o uso da intelectualidade está relacionado ao menor risco de doença de Alzheimer?”, questiona.

 

O psiquiatra Wagner Gattaz, um dos coordenadores do Centro de Estudos de Distúrbios da Memória do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, não acredita que os problemas de memória estão aparecendo mais cedo. “O que provavelmente está ocorrendo é que esses problemas estão sendo detectados antes. Isso é resultado do maior nível de atenção dos médicos para o problema, associado aos progressos nos instrumentos de diagnósticos”, diz.

 

Publicado na Folha de São Paulo (08/09/2005)

Escrito por: Tatiana Diniz e Marcos Dávila

GeroVida Todos os direitos reservados.2017 - Desenvolvimento - Dinamicsite®